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Poesia - Memórias do passado e momentos presentes - SAD

As vivências e memórias das pessoas idosas por vezes são transcritas pelos próprios em forma de carta ou poema, mas a maioria não são do conhecimento de outrem. São desabafos do passado ou do presente e que ficam na gaveta.

 

Hoje, vamos apresentar um dos vários poemas escritos por D. Maria Filomena Fernandes Escoval de Vasconcelos, utente do Serviço de Apoio Domiciliário da Cáritas Diocesana de Beja.

Agradecemos o seu gesto carinhoso de partilhar connosco o que lhe vai no coração.

 

MEIA- NOITE, INVERNO

Fica a penumbra atrás dos vidros,

Ficam as sombras pelos recantos adormecidos,

Fica a mesa, um livro aberto,

Um copo de água, uns comprimidos.

 

Passam lá fora uns vultos apressados,

Já se ouve longe, o som dos passos,

Sempre a direito, sempre a compasso.

 

 

Passam os carros. E quantos passaram já!

Seguem em frente, rapidamente.

Primeiro a luz, logo o ruído

Que, por sinal, de noite, é diferente…

 

Nenhum parou na minha rua,

Ninguém abriu as suas portas,

Ninguém saiu, ninguém falou…

 

Ficam as árvores, nuas, mortas…

Vivem? Talvez!

 

Ficam as luzes, por sua vez,

Presas no ar, na escuridão,

E, sobre mim, ficam estrelas,

Presas no céu, na imensidão!

 

Ficam os bancos, vazios, presos no chão

Do meu jardim.

Fica suspenso, o desalento,

Preso, dentro de mim!

 

Maria Filomena de Vasconcelos