O que significa a pobreza?

Não é fácil descrever algo que nos assusta. É como olhar para um poço sem fundo. Mas para se perceber o que é a pobreza, para se pensar nela e agir, há que começar a olhar à nossa volta, para lá das nossas vidas, e mergulhar no “poço sem fundo…”



A pobreza não tem só a ver com os aspectos económicos e financeiros, também afecta o bem-estar físico psicológico, a atitude social, a autoconfiança, a ideia de reconhecimento social, a capacidade de reivindicar direitos e dignidade, e por último, mas não menos importante, a esperança.

Estruturas de pobreza – as formas tradicionais de pobreza continuam profundamente enraizadas, mas fundem-se com as actuais formas de pobreza ligadas ao modelo da sociedade de consumo. O resultado é uma mistura dramática de pobreza, é um mecanismo assustador de uma nova dupla estrutura de pobreza como força multifacetada e até dominante.

Não é só uma questão de dinheiro – grande parte das pessoas pede ajuda financeira, especialmente para pagar contas de consumos domésticos (água, gás, electricidade). Elas têm geralmente dívidas a saldar. Outras têm problemas comportamentais e/ou do foro psíquico. A violência doméstica é um problema. A quantidade de pessoas que precisam de ajuda é muito diversa. O problema da pobreza é muito diverso e complexo. Não é só uma questão de dinheiro.

1.2. Há cada vez mais vulnerabilidade e uma crescente polarização social
A globalização tem alguns vencedores e muitos perdedores. Os pobres estão entre aqueles que não podem participar na onda de mudança e que, de certa forma, são esmagados por ela. Para além disso, a recente crise global criou problemas dramáticos para aqueles que pareciam estar mais confiantes e protegidos.

O crescimento do desemprego tem implicações graves para as famílias, indivíduos, coesão social e finanças nacionais.

Devido à crise, verifica-se uma redução na diferença entre a chamada classe média e a classe baixa.

A economia de mercado polariza a sociedade. A pobreza muda conforme as mudanças operadas na sociedade.

1.3. Ser pobre significa ter falta de segurança e estabilidade:
No trabalho, habitação e saúde, pouca integração social e relacional, poucos recursos financeiros, falta de acesso a um bom sistema de assistência social, um estatuto jurídico incerto e horizontes limitados em termos de família de origem. Tudo isto gera um agravamento da situação que a pessoa sozinha não consegue evitar e que acaba por se replicar.

Actualmente, fala-se menos de pobreza e mais de exclusão social. Esta última refere-se à situação de trabalho. Quando se tem emprego,mesmo sendo pobre - é-se considerado socialmente incluído.
Estar socialmente incluído, significa assumir responsabilidades e estar envolvido no processo democrático, participar em grupos , etc…

1.4. Ser pobre não é a mesma coisa em todo o lado
Qualquer programa ou acção de combate à pobreza tem como pré-requisito um conhecimento profundo e exacto do contexto local e a proximidade das pessoas que nele vivem.

“Estatisticamente, Portugal caracteriza-se por ter uma das maiores diferenças entre ricos e pobres. Para além disso, o risco de cair na pobreza é alto. Houve um enorme movimento migratório da campo para as cidades costeiras. É difícil passar de um contexto rural para um contexto baseado em serviços.
Registaram-se grandes mudanças, mas ainda não se consolidaram. A formação não é apropriada. Avançamos em direcção ao modelo europeu, mas ainda não chegámos lá. Agora não temos jovens. Eles vão-se embora. Estamos a fechar escolas e a abrir lares para a terceira idade!” (Prof. José Pires Manso).(“


ENTRE NÓS” – Parte II – Documento da Caritas Europa, com o patrocínio da Comissão Europeia)

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