Em 1976, a Cáritas lança o seu próprio quadro de auxílio à criação de emprego para os desalojados do ultramar, através de um programa de concessão de pequenos empréstimos para a criação de negócios geradores de postos de trabalho.

Contou com um Fundo inicial de 1 milhão de dólares (30 milhões de escudos na época, hoje cerca de 3 milhões de euros) disponibilizados faseadamente conforme os objectivos alcançados, pelo Catholic Relief Service da Cáritas dos Estados Unidos da América. Posteriormente, o fundo contou com contributos das congéneres austríacas, suíça, holandesa e italiana.

A Cáritas foi a instituição da Economia Social que num período conturbado do país, décadas de 70 e 80, geriu um fundo destinado ao empreendedorismo e a indivíduos em situações sociais adversas, os retornados, com resultados positivos quer na integração desse universo, quer no desenvolvimento económico de determinadas regiões do país.

As circunstâncias do público-alvo do apoio concedido nos anos 70 e 80 eram completamente diferente das que enquadram os universos deste projecto. No primeiro caso, os repatriados das ex-colónias confrontaram-se com uma situação traumática de perda dos bens e de alteração drástica da sua situação e dos seus sonhos e projectos. Por outro lado, muitos desses indivíduos tinham sido empresários ou gerido negócios e tinham uma vivência diversificada dos quotidianos e do mundo.

O contexto de apoio à pobreza e à exclusão, bem como a dinâmica da economia social de então era muito mais ténue que a dos nossos dias. Todos estes factores resultaram que o primeiro universo estava mais preparado, empenhado e realista que os “novos empresários”.

Resultados alcançados:

- Postos de trabalho criados: 2090;

- Empreendimentos / Projectos aprovados: 1047;

- Média de 2 postos de trabalho por projecto aprovado;

- Média de 72.483 Escudos por posto de trabalho criado, hoje 2914,51 euros;

- Reembolso dos empréstimos: mais de 85 %.

 

 

Fonte: Os Retornados, um estudo sociográfico, PIRES, Rui Pena (coord.), 1984, Instituto de Estudos para o Desenvolvimento - Caderno 14, ISCTE – Monografia Geral S.153 Ret ex.3, consultado a 14.02.2014 e Entrevistas realizadas: ao Engº António Lage Raposo (25.02.2014) e à Drª Maria Delfina (20.02.2014), respectivamente, Presidente da Cáritas e técnica da Cáritas no período em análise.