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um olhar sobre a pobreza... um contributo!

Os desafios que nos esperam são os maiores da nossa geração.
Barack Obama

Nas actuais condições de desenvolvimento económico, conhecimento científico e progresso tecnológico, é intolerável, do ponto de vista ético e de critérios de cidadania e vida democrática, que continue a verificar-se a persistência de elevado número de cidadãos do nosso País (e nossa Humanidade) a viver em situação de pobreza e sofrendo de privações graves em relação ao estilo de vida corrente.

Hoje, há várias maneiras de falar da pobreza no mundo. Devido aos media, a pobreza dos outros está sem dúvida mais perto de nós do que nunca. Mas, nas nossas vidas de ocidentais atarefados, só se apresenta, em geral, como algo muito “longínquo” de nós ou então como uma consequência de “má sorte” atribuída a questões várias. No entanto, a pobreza é um dos sintomas mais graves da degradação da vida humana no nosso planeta, pelo que deveria, logicamente, constituir uma base para qualquer reflexão que se pretenda enraizada na realidade. Não é o que se passa, como bem sabemos.

Mas, neste itinerário de palavras que aqui apresento, procurarei ser positivo, ou melhor, proporcionarei a que a reflexão seja assente no que de bom se vai realizando para que este flagelo da pobreza seja minimizado. Porque ainda encontramos muitas boas acções de homens e mulheres que procuram equilibrar a balança das desigualdades. A dificuldade maior é que, num planeta onde a globalização tende a impor o mesmo modelo de produção em toda a parte, torna-se cada vez mais difícil para os países pobres a escolha de um modelo diferente. Um modelo que valorize a coesão social mais do que a eficácia produtiva, e a cobertura das necessidades básicas de todos mais do que a opulência gritante dos detentores do poder ou do dinheiro.
O mundo moderno, com todas as suas bênçãos, é desigual, instável e insustentável. E, assim, o grande objectivo do início do século XXI é conduzir os nossos bairros, o nosso país e o mundo até comunidades integradas de oportunidades e responsabilidades partilhadas com uma percepção de pertença genuína, baseadas na essência de cada comunidade bem-sucedida: a consciência de que a nossa humanidade comum é mais importante do que as nossas diferenças peculiares. Todos devemos caminhar com o objectivo de contribuir para o bem público e bem comum.

Depois disto pergunta-se: porque continuamos a ter milhões de pessoas que ficam impossibilitadas de tirar a máxima satisfação das suas vidas, e milhões de outras morrem sem necessidade a cada ano que passa? A melhor resposta que consigo encontrar é a de encarar o mundo moderno como uma oportunidade de acção pelo outro, porque ao vivermos num mundo interdependente, não conseguimos alhear-nos dos problemas dos que nos rodeiam. Todos somos vulneráveis ao terror, às armas de destruição maciça, às epidemias e aos efeitos potencialmente catastróficos das mudanças climatéricas. E, com toda a nossa riqueza, existem pessoas com fome, sem casa, sem trabalho, doentes, incapacitadas, isoladas e ignoradas. Há crianças com sonhos que acabarão por morrer sem uma mão amiga.

A luta contra a pobreza não pode assim ser desligada da luta quer por salários dignos, quer por uma maior eficácia dos mecanismos redistributivos, quer por um desenho de novas políticas sociais. Mais, a luta contra a pobreza começa a ser hoje cada vez mais reconhecida como grave violação dos direitos humanos. Foi neste sentido que a Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) apresentou uma petição à Assembleia da República com mais de vinte e três mil assinaturas. E, em Julho de 2008, a Assembleia da República aprovou uma Resolução que vem: “declarar solenemente que a pobreza conduz à violação dos direitos humanos”. Trata-se de uma tomada de posição política do maior alcance da qual devem, agora, decorrer as indispensáveis implicações práticas a nível governamental, autárquico e administrativo, visando a erradicação da pobreza.

É, neste contexto que, pelo seu sétimo ano consecutivo a iniciativa da Caritas Portuguesa intitulada por “10 Milhões de Estrelas - Um Gesto pela Paz 2009 assume um papel premente na resposta a um conjunto de novas situações de grande carência que atingiram pessoas por todo o país. Através de gestos concretos damos ênfase ao combate à Violência, à Injustiça e à Exclusão, permitindo que cada cidadão possa aderir a esta iniciativa com a compra de uma vela, que é apenas e só um instrumento simbólico encontrado para que possamos ajudar aqueles que, de um momento para o outro, ficaram sem meios de subsistência por causa da alarmante vaga de desemprego. A operação de Natal 2009 assume assim uma importância muito particular ao inscrever, entre os seus objectivos prioritários, a criação de um Fundo de Apoio aos Novos Desempregados.
Terminaria com um dos maiores desafios que Carl Gustav Jung adoptou para si e, ao mesmo tempo, desafia cada um de nós a concretizar neste aqui e agora da humanidade:  “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”.

Bernardino Silva
Coordenador Nacional da Operação 10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz
Caritas Portuguesa

 

>2009 > > Caritas Portuguesa > 16-12-2009


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