Conselho Geral Cáritas: Conclusões

No Porto, na Casa Diocesana de Vilar, de 20 a 22 março de 2015, os representantes de dezanove Cáritas diocesanas estiveram reunidos em Conselho Geral presidido pelo Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, D. Jorge Ortiga. Este encontro contou também com a presença de D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto, e teve como convidados para a conferência pública - «O papel da Igreja e das Instituições de Solidariedade num contexto de crise» - o padre Joaquim Mário Areal Andrade, pároco de Padrão da Légua (Porto); Teresa Olazabal, fundadora do grupo «Sacos de Ternura»; Américo Ribeiro, presidente da Obra Diocesana de Promoção Social; e Manuel Pizarro, vereador do pelouro da habitação e ação social da Câmara Municipal do Porto.

 

Numa época em que os mais idosos são colocados à margem da convivência social, a entidade anfitriã deste encontro, a Cáritas Diocesana do Porto, presenteou os participantes com a exposição «Lado a Lado». Rostos que mostram uma história de vida.

Com um programa extenso, os participantes aprofundaram o papel que a Cáritas Portuguesa e as Cáritas Diocesanas deverão desenvolver em caminho profético no intuito de diminuir a crise que assola Portugal e o mundo. Só com horizontes largos e rasgos messiânicos, estas entidades eclesiais saberão responder ao crescimento do desemprego e às novas formas de pobreza que tocam em todas as paróquias portuguesas

Com os olhos e coração aberto à realidade social do nosso país, a família Cáritas não pode desperdiçar o património da Doutrina Social da Igreja. É fundamental levar esta mensagem de libertação de forma organizada porque todos os cristãos são mandatados a apresentar caminhos solidários que, através da subsidiariedade, permitam o envolvimento de todos nos problemas que são de todos.

Como há pessoas que herdaram um permanente estado de pobreza, as relações de cooperação entre a Igreja e o Estado são fundamentais para ajudar os mais necessitados a saírem desta exclusão persistente. Uma sociedade onde há pobreza não pode ser uma sociedade desenvolvida. Aos cristãos compete levar o sonho realista de um mundo mais solidário porque a complexidade dos problemas só se resolve com a generosidade dos cristãos. A Cáritas deve traduzir a gramática e o quadro da Doutrina Social da Igreja.

A sociedade atual trouxe novos problemas à célula familiar. Se não damos voz às pessoas, contribuímos para o agravamento dos dramas que as afetam. Devido à gravidade da situação, a disponibilidade dos cristãos deve ser maior e ficou bem expressa no peditório da Semana Nacional Cáritas onde foram contabilizados, até ao momento, cerca de 187 mil euros.

A caridade é o rosto visível de Deus e a arte de fazer bem, especialmente, aos mais fragilizados na sociedade. Urge alargar fronteiras e chegar às periferias para que a revolução da ternura, como lhe chama o Papa Francisco, seja o verdadeiro guião desta caminhada. Todos os cristãos devem ser protagonistas deste desenvolvimento porque a grande profecia dos tempos novos é centralidade da pessoa humana.

A alegria de servir faz-nos mensageiros da misericórdia e ajuda-nos a multiplicar os pães. Só o amor fraterno, traduzido em ações de verdadeira cooperação, leva ao desenvolvimento solidário. Só através da imaginação, criatividade e ousadia este plano será bem-sucedido. A solidariedade com os pobres implica proximidade, mas também um horizonte mais vasto e novos dinamismos. É impensável deixar as pessoas sem resposta.

Quanto às linhas estratégicas da Cáritas em Portugal para o triénio de 2014-2016, o Conselho realça os seguintes pontos: “animação local e pastoral; voluntariado; formação; sustentabilidade organizativa e financeira da Instituição; e reforço da cooperação internacional”. A consciência permanente para os problemas sociais exige uma adequada formação dos agentes sociocaritativos.

As iniciativas de sucesso das Cáritas diocesanas devem ser partilhadas. No entanto, é fundamental estar atento à realidade, só assim se conseguem ultrapassar os obstáculos. A persistência e a operacionalização são dois conceitos que fazem parte do ministério da caridade. As orientações escritas existem, agora é fundamental colocá-las em prática. O pobre não deve ser objeto, mas sempre sujeito, protagonista do seu desenvolvimento integral. É urgente rasgar caminhos transparentes e não pactuar os momentos de inércia.

A Ata do Conselho anterior foi aprovada por unanimidade, tal como Relatório de Atividades e de Contas de Exploração do Exercício Económico da Cáritas Portuguesa de 2014

Durante o Conselho foi apresentada a nova direção da Cáritas Portuguesa e foi eleita a comissão permanente deste organismo.

 

Comunicado Final do Conselho Geral da Cáritas
Porto, 22 de março de 2015