Dia Internacional Contra o Tráfico de Seres Humanos


A Cáritas Portuguesa recorda que este Domingo, dia 30 de julho, é assinalado o Dia Internacional Contra o Tráfico de Seres Humanos e lembra que o acesso legal e seguro à Europa é fundamental para acabar com o flagelo do tráfico de seres humanos.


“A Europa não pode continuar a desviar o seu olhar deste flagelo. Todas as crianças e adultos subjugados por esta nova forma de escravidão vivem com medo, pelo abuso e pela ameaça. Preferem sujeitar-se a esta nova forma de escravidão, do que voltar para casa, de onde fugiram, ou até mesmo morrer” afirma Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa, acrescentando que “no caso das crianças, a situação é ainda pior. Crescer como “traficado” condiciona a sua personalidade e a sua visão sobre o mundo. A Europa deve pôr fim a esta situação.” 


Em Portugal e em toda a Europa, os relatos de situações vividas por crianças que viajam não acompanhadas, atraem a atenção dos meios de comunicação social e das redes sociais. Contudo esta é apenas a ponta visível do grande icebergue que é o tráfico de seres humanos. A maior movimentação de pessoas e a diversificação nas razões de fuga dos países de origem tem levado a aumentar as situações de risco. Portugal tem também um aumento no número de pessoas vítimas de tráfico humano e a Cáritas tem sido chamada a intervir.


Quando forçadas a deixar suas casas, as famílias perdem as suas redes de segurança, o que as coloca, naturalmente, em situação de grande vulnerabilidade e instabilidade. As crianças que migram, especialmente as que viajam sozinhas, são particularmente suscetíveis a serem apanhadas em situações de exploração. Muitas vezes, organizações, como a Cáritas, conseguem chegar às vítimas, mas a capacidade de mobilidade das redes de tráfico em toda a Europa está a tornar-se cada vez mais eficiente.


"Eu não comia o suficiente. Eles chegavam a deixar-me sem comer nem beber durante três ou quatro dias. Eu bebia água quando ia à casa de banho." O relato é de Olivia, natural do Togo, que aos 13 anos foi trazida de forma ilegal para a França para trabalhar como au pair. Foi vítima de abusos e tortura até que conseguiu fugir. A história de Olivia não é única. São muitos os relatos aterradores em toda a Europa, incluindo Portugal. No passado mês de fevereiro, durante o Fórum Internacional sobre Migrações e Paz, o Papa Francisco dirigiu-se aos líderes mundiais lembrando que é seu dever moral encontrar instrumentos legais, nacionais e internacionais, que protejam as pessoas destas redes organizadas de criminosos que enriquecem à custa do tráfico humano.


A Cáritas Europa e, com ela, a Cáritas Portuguesa, reitera o seu apelo a todos os decisores para garantir o acesso seguro e legal à Europa de forma a evitar o sofrimento desnecessário de pessoas que estão desesperadas e, por isso, dispostas a arriscar suas vidas para fugir dos seus países de origem. Ao permitir que haja mais canais legais, os líderes europeus estarão a contribuir com o fim do lucrativo negócio dos traficantes de seres humanos. Existem ferramentas para conseguir isso, como por exemplo, o recurso aos vistos humanitários, recolocação, patrocínio comunitário, corredores humanitários e reunificação familiar.



De que forma a Cáritas Portuguesa está envolvida no trabalho com Migrantes e Refugiados?

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